Amo os livros. Não terei qualquer pudor em afirmar que os desfolheio e leio como quem faz amor. Depois, custa-me muito despedir de um livro. Eu, às vezes, abraço os livros com o mesmo desejo com que abraço os homens. ______mariagomes
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Chove quando menos te lembro. Em todos os poema nomeio a chuva como nomeio os barcos. Junto ao mar... Chove tanto! Docemente, junto aos teus lábios... E ao teu cabelo. A chuva vem de um véu da noite. Vem do ventre das palavras, dos palmares, das brancas mãos que tanto amei. E ouve, ouve, agora, a água que goteja, ouve meus olhos viajantes pela nudez dos campos. Ouve o espectro desta voz sem nome, sem palavras. Chove. ____________mariagomes
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Quero-te. Quero-te mais do que quis. Quero que me fales, outra vez, da raiz do deserto das searas que vi. Quero que contemples, por mim, o dilúvio, E o rio. O rio que te correu na voz e, um dia, voltou a incendiar o azul. Quero que me escrevas uma carta que me diga do mundo, e de ti. _________mariagomes