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Amo os livros. Não terei qualquer pudor em afirmar que os desfolheio e leio como quem faz amor. Depois, custa-me muito despedir de um livro. Eu, às vezes, abraço os livros com o mesmo desejo com que abraço os homens. ______mariagomes
Um livro não se mede a páginas. _______mariagomes
Vivi para sempre quando te amei. Vivi olhando a beleza das coisas. Olhando a cor do outono, o cair da folha... Vi o outono ganhar um dourado céu como uma ave. Nos teus olhos, comovia-me sempre a eternidade, comoviam-me as aves. __________mariagomes
Chove quando menos te lembro. Em todos os poema nomeio a chuva como nomeio os barcos. Junto ao mar... Chove tanto! Docemente, junto aos teus lábios... E ao teu cabelo. A chuva vem de um véu da noite. Vem do ventre das palavras, dos palmares, das brancas mãos que tanto amei. E ouve, ouve,  agora, a água que goteja, ouve meus olhos viajantes pela nudez dos campos. Ouve o espectro desta voz sem nome, sem palavras. Chove. ____________mariagomes
Materna dor a parir sonhos infantes, em teu claro corcel, a rosa que desenhas arde no crepúsculo de todos os dias, na tarde da primeira estrela que brilha quando há céu. ______mariagomes
Schubert oferece-me um pássaro de chuva o céu aberto e sombrio. Um solo pianíssimo. E a melancolia vigia a minha janela. ______mariagomes
Quero-te. Quero-te mais do que quis. Quero que me fales, outra vez, da raiz do deserto das searas que vi. Quero que contemples, por mim, o dilúvio, E o rio. O rio que te correu na voz e, um dia, voltou a incendiar o azul. Quero que me escrevas uma carta que me diga do mundo, e de ti. _________mariagomes